segunda-feira, 14 de novembro de 2016

David Gilmour - O clube do filme


David Gilmour - O clube do filme

Livro autobiográfico, em que o crítico cinematográfico Canadense David Gilmour discorre sobre como utilizou de sua paixão, a arte, especificamente, o cinema, para aproximar-se do filho adolescente, onde o rapaz poderia deixar de estudar desde que juntos assistissem a três filmes semanais. 
Jogou todas as fichas. Vislumbrava o tempo que teriam juntos para discutir a arte cinematográfica que tanto de realidade poderia fazer um jovem enxergar além de suas decepções amorosas e vida desregrada mas não somente: vislumbrava um tempo de convivência, de resgatar um tempo certamente quase perdido em relação à educação do filho que se absteve durante uma vida de trabalho e separação familiar.
No desenvolvimento da obra, há momentos em que o autor discorre demasiadamente em detalhes da narrativas e em outros onde seriam importante maiores detalhes para entendimento de passagem de fase de desenvolvimento do personagem central, o filho, há um pulo no espaço de tempo, ficando a reflexão da superação do personagem quanto a suas angústias para entendimento do leitor. Necessitando do leitor um entendimento, para compreender o amadurecimento do personagem por si só. Amadurecimento este que fica na forma como foi mostrada, a desejar.
O livro é uma amostra, um laboratório das relações humanas, voltadas para o papel da educação que os pais deveriam exercer sobre a vida dos filhos, não esperando somente que a escola ou sociedade o cumpra.
Essa sensação de laboratório podemos ver ao longo da narrativa, como tentativa e erro, onde o pai busca acertar mas escrever a obra foi talvez uma forma de se redimir das incertezas que vivenciou em relação à educação do filho.
Talvez o ponto fraco da narrativa seja a exclusividade da narrativa centrada no pai e filho e deixando outros personagens como mero coadjuvantes, ou seja, a mãe do menino, a esposa do depoente, e pasmem vocês, a somente citada irmã do rapaz problemático somente nos agradecimentos. Sim, é uma família um tanto invisível, certamente.
Certamente a expectativa de discorrer uma lista de filmografia desperta o interesse pelo livro. Nesta parte, por ser longa, nem todos os filmes são detalhados, ficando apenas a dica ao leitor dos melhores e piores filmes, pelo crítico cinematográfico, autor da obra. Vale entretanto, reflexões acerca dos detalhes que podem prender uma pessoa a um filme, como simplesmente pelo prazer de diversão e não tão somente pela mensagem intrínseca da obra.

O Clube do Filme - David Gilmour; tradução de Luciano Trigo. - Rio de Janeiro: Intrínseca, 2009.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Varlam Chalámov - Contos de Kolimá





Varlam Chalámov - Contos de Kolimá


NA ESTANTE, por Fernanda Pompermayer, Cidade Nova, Outubro 2016 - n.10

"Se você já leu Recordações da casa dos mortos, de Dostoiévski, ou Arquipélago Gulag, de Alexander Sljenítsin, não pense que Contos de Kolimá é só mais um relato da vida nos campos de trabalhos forçados da Sibéria.
Nos anos negros da era stalinista, milhões de cidadãos russos e dos países satélites que formavam a União Soviética foram hóspedes do complexo prisional siberiano. O fato de conhecer algum dissidente do regime ou de fazer qualquer menção que configurasse contrariedade ao governo já era suficiente para ser considerado "contrarevolucionário" e, portanto, preso e deportado.
Em 1924 o escritor russo Varlam Chalámov (1907-1982) difundiu cópias da carta que Lênin escrevera aos membros do Comitê Central do Partido Comunista, chamando a atenção para a monopolização que Stálin provocava na Rússia. Não deu outra: foi condenado a cumprir pena de três anos em Kolimá, região desolada no nordeste da Sibéria. Em 1937 foi preso novamente, dessa vez por 17 anos.
Contos de Kolimá é o primeiro livro da série de seis que relatam o ciclo completo da experiência de Chalámov em Kolimá.
O autor conta que, sob qualquer temperatura, os trabalhadores eram obrigados a caminhar até seus locais de trabalho. "Mesmo sem termômetro", relata, "Os prisioneiros antigos mediam o frio quase com exatidão: se há nevoeiro gelado, na rua faz quarenta graus abaixo de zero; se o ar da respiração sai com ruído, então , quarenta e cinco graus, o cuspe congela no ar".
O fundamentalismo de uma ideologia levado às últimas consequências foi capaz de extirpar da alma dos algozes qualquer resquício de respeito pelo ser humano. A selvageria e a brutalidade atingiram requintes inimagináveis. Fome, frio, descaso, humilhações, imundície, agressões físicas e fuzilamentos substituíam o pão cotidiano (que faltava!).
Se os ossos podiam congelar, também o ce´rebro podia congelar e embotar, também a alma podia congelar. No frio intenso, não era possível pensar em nada. Tudo ficava simples.
Segundo a escritora Irina P. Sirotínskaia, "O livro é endereçado à alma de todos os homens.
Chalámov, intencionalmente, rejeita toda literariedade pensada que posa afastar o escritor do leitor, uma literariedade "sacrílega para um tema como esse'". Esse tema - continua Sirotínskaia - "exige que o leitor tome parte na criação, na dor, nas emoções, na raiva. É infinitamente sincero, infinitamente verídico".
Narrativa forte, impactante, palavras amargas, descrições sinistras?
Com certeza. Contos de Kolimá, obra-prima de Chalámov, não é um livro para passar o tempo. É um relato meticuloso de uma parte da História que felizmente ficou para trás. Mas sua leitura é também uma brecha que se abre para conhecermos e refletirmos sobre o significado de uma época recente. Ela é reveladora das consequências antropológicas da exacerbação de uma ideologia, do culto à personalidade e da sede desenfreada de poder. Assim como o Holocausto judaico, é uma experiência "para não esquecer".
Como afirma o escritor Boris Schnaiderman na apresentação do livro, "esses contos de Chalámov enquadram-se, com toda a certeza, entre os documentos humanos mais fortes que o atribulado século 20 nos legou"."

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Galinho - Lígia Guedes Joaquim


Cartas e pássaros - Lígia Guedes Joaquim

Galinho ofuscava os olhos observando o jardim de margaridas reluzentes sobre as casas.
Pelo brilho que emitiam calculava que o dia ia à meio.
O olhar mudou de ponto.
Os barcos não retornaram, ficando apenas os enormes cargueiros que pela distância pareciam vermelhos barquinhos de papel, como os da bacia no quintal de sua infância.
A água do mar parecia brilhar mais que as parabólicas lá embaixo na cidade.
O sol escaldante impedia o raciocínio. Que dia seria? Que importava saber?
Permanecer no mirante tendo a cidade como distração era sua passagem do tempo.
Olhar a igreja com o Cristo azul de braços abertos a certeza de que vivia.
Azul. Quem pintou o Cristo?
O carteiro arrastando a bicicleta morosametne na subida do morro indicava que não chegara o fim da tarde.
Tempo de parcos recursos pelo trabalho que insistia em executar. Já o destituíram do posto sabia disto. Permanecer lhe rendia algumas parcas moedas vez por outra. Suficientes para o dono do bar não lhe pedir para sair do estabelecimento diariamente frequentado.
A fome apertou.
Já não sabia quantos dias estava sem ir a casa da velha lá embaixo do morro. Única que lhe atendia com uma refeição e um sermão. A exigência de sempre: levar o pote doado. Lembrara que fora verejado pela janela na última noite junto com a sua urina.
desceu vagarosamente em direção ao seu barraco.
A fome teria que esperar.
Pelo menos por mais um dia.

Cartas e pássaros / Lígia Guedes Joaquim - Rio de Janeiro : MDM Editora, 2015.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A cigarra e a Formiga - Fábula I - La Fontaine - Fábulas - Vol. I



La Fontaine - Fábulas - Vol. I

FÁBULA I

A CIGARRA E A FORMIGA

Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brio,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso estio.

A formiga nunca empresta,
Nunca dá por isso junta.
"No verão em que lidavas?"
À pedinte ela pergunta.

Responde a outra: "Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.
- "Oh! bravo! - torna a formiga -
Cantavas? Pois dança agora!"


La Fontaine Fábulas, ilustradas por Gustavo Doré, Vol. I e II, editora Landy, 2003.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Lis Guedes - Fotografia



"Todo retrato é um auto-retrato"

Na fotografia mantenho viva a criança que nunca parou de sonhar. A criança criativa que vivia imersa em papeis, tintas, pincéis e tesouras. Cada história para mim, é uma grande tela, onde ao registrar, combino as cores, texturas, sombras, luzes e nuances. Amo a vida e pessoas, pessoas que são reais, que sorriem, choram, abraçam, criam laços e que um dia se vão. Fotografo porque tenho saudades, saudades do momento, saudades das fases, das pessoas. Eternizar o segundo que nunca mais vai voltar, e amenizar a saudade de alguém, é uma grande responsabilidade, sobretudo um grande prazer.
A vida é tão rara, e perdemos sempre tempo demais com as coisas que não importam.. quero, ao meu modo, e mesmo que seja pouquinho, resgatar este tempo perdido.
Por isso, fotografo.



“Atenta e intensa
Comunicadora e criativa
Repleta de alma
Técnicamente sensível
Assim se desenha Lis, por entre linhas de luz, cor e poesia
Captados fugazmente por suas doces lentes:
Retinas, óculos e objetivas.”
(Carla Guedes Braga)


















quinta-feira, 23 de junho de 2016

Anthony Doeer - Toda luz que não podemos ver


Toda luz que não podemos ver - Anthony Doerr
NA ESTANTE, por Fernanda Pompermayer, Cidade Nova, Junho 2016 - n. 6

A história de uma garota cega, filha do chaveiro do Museu Nacional de História Natural de Paris, em meio à Segunda Guerra, esconde e revela uma trama: Toda luz que não podemos ver. Assim como em A menina que roubava livros, de Markus Zusak (também da Editora Intrínseca), o livro enxerga o grande conflito mundial a partir do olhar da população comum, que viveu os seus dramas na França ocupada pelas tropas de Hitler e na própria Alemanha. Marie-Laure ficou cega aos seis anos de idade. Para que ela tivesse um mínimo de mobilidade e de orientação espacial, o pai constrói uma maquete do bairro onde moram. 

Aprende a ler em braile e, apesar dos parcos recursos do pai, ele presenteia a amada filha com Vinte mil léguas submarinas, de Júlio Verne

A menina devora o livro, o relê, lê pela terceira vez. A ausência da visão aumenta ainda mais sua capacidade de fantasiar e de sonhar.

Assim, os acontecimentos reais encontram na sua imaginação um paralelo com o Capitão Nemo e suas aventuras náuticas.

Com a chegada dos nazistas a Paris, pai e filha fogem para a cidade costeira de Saint-Malo, onde esperam encontrar abrigo na casa de um parente.

Enquanto isso, na Alemanha...o jovem órfão Werner, pouco mais de uma criança, vive o temor de uma convocação para a frente de batalha.

Na pequena cidade carvoeira onde mora, "vagões de carvão rangem na escuridão úmida. Máquinas ressoam à distância: pistões martelando, esteiras girando. Suavemente. Insanamente".

Aficionado por tecnologia, Werner torna-se um excelente técnico autodidata. Recrutado pelo exército alemão, ele será um soldado importante para desbaratar a rede de transmissões clandestinas dos Aliados. Mas o garoto de 15 anos é assaltado por questionamentos que não querem calar. Pureza racial, pureza política (...). Na calada da noite Werner medita: a vida não é uma espécie de corrupção? Uma criança nasce e o mundo se apossa dela. Arrancando coisas dela, alojando coisas nela. Cada porção de comida, cada partícula de luz entrando no olho - o corpo nunca pode ser puro. Mas é nisso que o comandante insiste, o motivo pelo qual o Reich mede o nariz de cada um deles, avalia a cor de seus cabelos.

Durante a ocupação de Saint-Malo, as histórias de Werner e de Marie-Laure se cruzam.

Em agosto de 1944, a histórica cidade murada de Saint-Malo, a joia mais esplendorosa da Costa da Esmeralda, na Bretanha, foi quase totalmente destruída pelo fogo... Das 865 construções no interior das muralhas, apenas 182 permaneceram de pé, e todas sofreram algum tipo de dano (da Epígrafe).
Lá fora, pela janela, ouve-se o ronco de um caminhão ganhando vida. 
Passam gaivotas, zurrando como asnos, e à distância as armas voltam a estourar, e o ronco do caminhão diminui, e Marie-Laure tenta se concentrar e reler um capítulo anterior do livro: fazer os pontos em relevo se tansformarem em letras, as letras em palavras, as palavras em um mundo.

O barulho aterrador alterna-se com longos silêncios, não menos assustadores. Marie-Laure reflete:

O silêncio é fruto da Ocupação; está suspenso nos galhos, jorra das calhas. Madame Guiboux, mãe do sapateiro, saiu da cidade. Assim como a idosa madame Blanchard. Tantas janelas estão às escuras. É como se a cidade tivesse se tornado uma biblioteca de livros escritos em uma língua desconhecida, as casas, em grandes prateleiras com volumes inteligíveis, todas as luminárias apagadas.

Longe de ser um romance açucarado, essa obra de Doerr é um retrato realista. É uma história que poderia muito bem ter acontecido.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Festival Varilux de Cinema Francês 2016


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Festival Varilux de Cinema Francês 2016


O Festival Varilux de Cinema Francês ocorrerá em 50 cidades brasileiras, no período de 08 a 22 de junho de 2016, com duração de uma semana a mais.



A programação contará com 15 filmes inéditos e um grande clássico do cinema francês.

Imperdível!


sábado, 14 de maio de 2016

Allison Hoover Bartlett - O homem que amava muito os livros.

O homem que Amava muito os Livros -
Allison Hoover Bartlett

NA ESTANTE, Revista Cidade Nova, Maio 2016 - n. 5, por Fernanda Pompermayer.

Este é um livro para amantes de livros. É a história real - ocorrida nos Estados Unidos, na virada do milênio - de uma escritora em contato com um famoso ladrão de livros raros (John Gilkey) e um livreiro-detetive (Ken Sanders) cuja meta é capturar o ladrão.

O que leva uma pessoa a roubar?

A roubar não por necessidade, mas por um capricho intelectual? Por aspirar ao status que uma biblioteca repleta de obras valiosas e incomuns confere? Será apenas a ambição pelo poder? "Eu não podia conceber o poder que os livros exerciam para motivá-lo a arriscar-se continuamente a passar um tempo na prisão por sua causa", declara Bartlett.

Há uma enorme quantidade de livros "que custam mais do que Gilkey pode ou deseja pagar por eles; por isso, ele os rouba", admite a autora. "Isto, segundo a sua lógica, é apenas uma correção aplicada ao sistema."

Para o crítico cultural Walter Benjamin, "a posse é a relação mais íntima que alguém pode manter com os objetos. Não que (por meio da posse) estes se tornem vivos para seu possuidor; mas este torna-se vivo através deles."

Além de analisar os meandros da psicologia humana, essa obra de Bartlett é uma verdadeira excursão guiada pelo universo dos livros, livrarias, bibliotecas, com todos os tesouros que encerram.

Encontrar-se em meio a tantos livros tão cativantes é uma experiência inebriante, mesmo para o amante de livros moderado; mas para Gilkey, tratava-se de um acontecimento tão importante quanto inesquecível e vertiginoso (p. 56).

Gilkey deu vasão à sua compulsão em grandes feiras de livros,na visita a bibliotecas e, principalmente, com a "aquisição" em livrarias especializadas em raridades. O ladrão costumava aplicar calotes milionários, com cheques sem fundos ou débito em contas falsas. Essas manobras Mas o levaram à cadeia diversas vezes. Mas era só voltar à liberdade que os roubos tornavam a acontecer. A pergunta que não queria calar na mente de Bartlett era: seria Gilkey um homem normal ou mentalmente doente? 

Através de sua coleção, Gilkey poderia ocupar uma posição reverenciada, em um mundo idealizado. Talvez ele fosse apenas um pouquinho mais louco do que as outras pessoas (p. 161).

Não pretendia perder o contato nem com Gilkey, nem com Sanders. Nós três éramos buscadores muito persistentes: Gilkey, por livros; Sanders, pelos ladrões de livros; e eu, pelas histórias de ambos.
O que eu não poderia ter adivinhado era que o meu papel na história se tornaria mais complexo. Deixaria o papel de observadora objetiva, para entrar diretamente no enredo (p. 153).

Os livros podem nos enraizar em algo  maior do que nós mesmos, algo real. Por este motivo, creio que os livros encadernados, feitos de papel, sobreviverão, até mesmo muito tempo depois de os livros eletrônicos se tornarem populares. Quando caminho por uma rua e vejo pessoas passarem poor mim, absortas no universo dos seus i-Pods ou telefones celulares, não posso evitar pensar que a nossa conexão com os livros ainda é, após todos esses séculos, tão importante quanto intangível. É essa conexão que torna os velhos livros que pertenceram aos meus pais e aos meus avós tão especiais para mim... (p.166)

Antes mesmo que O Homem que amava muito os livros fosse impresso o "bibliodetetive" Sanders alertou seus colegas livreiros sobre o mais recente golpe de Gilkey, no Canadá. E o personagem principal deste livro ainda não tinha sido preso.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Vivian Maier - Uma fotógrafa de rua.

Vivian Maier - Uma fotógrafa de rua

Presenteei a minha filha que está se aventurando na arte da imagem, Lis Guedes - Fotografia, com o livro Vivian Maier - Uma fotógrafa de ruaeditado por John Maloof, prefácio de Geoff Dyer, editora autêntica.



É um livro de muita vivacidade. As imagens saltam aos olhos.




Vivian Maier, uma babá profissional que, entre os anos 1950 e 1990, tirou mais de 100.000 fotografias pelo mundo - da França a Nova York, a Chicago e a dezenas de outros países - e não as mostrou a ninguém, por mais de 50 anos, mais precisamente.



Vivian Maier tinha um interesse profundo pelo mundo ao seu redor. Começou a fotografar por volta de 1950 e continuou a fazer instantâneos até o final da década de 1990, deixando um conjunto de trabalhos que compreende mais de cem mil negativos. 



Há alguns anos, John Maloof, um historiador local, comprou de uma casa de leilões de Chicago uma caixa com os negativos de Maier. Ele então começou a colecionar e a promover sua maravilhosa obra, que finalmente viu a luz do dia.


Populares idosos reunidos no antigo reduto polonês de Polish Downtown, nobres senhoras vestidas  com espalhafato e a experiência afro-americano urbano: tudo atraía a lente de Maier. Seu gênio se estende a uma série de filmes caseiros e gravações de áudio. Um pouco de cultura norte-americana, a demolição de marcos históricos para a construção de novos empreendimentos, as vidas invisíveis dos oprimidos e desvalidos, assim como cenas de algumas das localidades mais estimadas de Chicago são temas continuamente revisitados por Maier.



"Vivian Maier representa um caso extremo de descoberta póstuma; de alguém que existe unicamente nas coisas que viu. Maier não apenas era totalmente desconhecida no mundo da fotografia, como ninguém parecia sequer saber que ela tirava fotos."

(Geoff Dyer)


domingo, 27 de março de 2016

Leonard Mlodinow - De Primatas a Astronautas


Leonard Mlodinow -
De Primatas a Astronautas

De Primatas a Astronautas - A jornada do homem em busca do conhecimento, de Leonard Mlodinow, Editora Zahar, Rio de Janeiro, 2015.

De Primatas a Astronautas não é outra versão de Sapiens, de Yyval Noah Harari. As duas obras são, no mínimo, complementares. Leonard Mlodinow, que além de físico é escritor e roteirista, também parte da origem do homem, mas faz um percurso original ao descrever os passos dados pela humanidade na compreensão do universo científico, de Aristóteles até hoje. Mais do que uma história do universo, o livro é, como o próprio subtítulo diz, uma história do pensamento humano.

O que Aristóteles pensava do universo? Qual foi o seu enorme legado? E as suas lacunas? Muito do pensamento aristotélico foi superado com o tempo... Superado por quê? Ou melhor: por quem?

A história de Galileu é bastante conhecida. Mas o que sabemos sobre as descobertas de Newton além de que a queda da maçã o fez compreender a lei da gravidade?
Ficaremos surpresos ao saber que a história da maçã foi de pouca relevância e sequer foi o gatilho para a compreensão do cientista britânico.

Depois da física, personificada por Newton, o que significou a descoberta da química? Todos trabalhamos, na adolescência, com a Tabela Periódica, mas não imaginamos o incrível trabalho de pesquisa e experimentação que teve o russo Mikhail Lomonossov para concebê-la, nem o que ela representou, na época, para as ciências.

Há quem ainda se lembre de Lavoisier, talvez pelo célebre enunciado: "Na natureza nada se cria, nada se perde; tudo se transforma".

Mas o químico francês fez mais do que isso...

Depois da física e da química, "surge" a biologia, com Hoke e Darwin, entre outros. Até chegarmos a Max Planck e Einstein, com a mecânica quântica e a Teoria da Relatividade. Por trás de cada descoberta existiram outros nomes pouco conhecidos, mas que contribuíram expressivamente para que a ciência se configurasse como aconteceu e para que tivéssemos, hoje, smartphones, drones e estações espaciais fotografando Marte.

A jornada descrita por Mlodinow é entusiasmante, como um grande livro interessante e bem-humorado que o "leitor" folheia e se surpreende pelos novos conhecimentos e descobertas.
Faz pensar num conceito proposto em 1976 por Chiara Lubich, que não era cientista, mas pensadora e escritora: "Cada um de nós escreve uma página do livro (da história) da humanidade... O livro inteiro é escrito por toda a humanidade".

Com a ajuda de Leonard Mlodinow descobrem-se páginas fundamentais para a história e o pensamento humano, escritas por muitas mãos, por muitas vidas. E o resultado, embora ainda em curso, é deslumbrante!

Os arqueólogos às vezes comparam inovações culturais a um vírus. Como um vírus, as ideias e o conhecimento exigem certas condições - nesse caso, condições sociais - para vicejar. Quando essas condições estão presentes, como em populações grandes e conectadas, os indivíduos de uma sociedade podem contagiar uns aos outros, e a cultura pode se disseminar e evoluir. Ideias que sejam úteis, ou que simplesmente proporcionem mais conforto, sobrevivem e dão surgimento à seguinte geração de ideias. Companhias modernas, que dependem de inovações para seu sucesso, sabem bem disso.

NA ESTANTE, por Fernanda Pompermayer, Revista Cidade Nova - março 2016, n. 3, pág 48. 

terça-feira, 1 de março de 2016

Lançamento: Cartas e pássaros, em 29.01.2016 - Macaé - RJ - Brasil

Cartas e Pássaros
Lígia Guedes Joaquim































































































Cartas e pássaros - Lígia Guedes Joaquim, Rio de Janeiro : MDM Editora, 2015, Contos Brasileiros.

Lígia Guedes Joaquim nasceu na cidade de Macaé (Princesinha do Atlântico), no estado do Rio de Janeiro, Brasil.
Formada em Letras, Pós-Graduada em Psicopedagogia e Orientação Educacional.
Trabalha na indústria.

Sinopse:
A autora, desde tenra idade, descobriu o prazer de brincar com as letras e apreciar o azul profundo do mar na Princesinha do Atlântico, Macaé, litoral do estado do Rio de Janeiro.

Gosta de observar o olhar dos homens do mar, sejam eles pescadores ou trabalhadores da indústria, onde a diversidade de rostos e cultura é uma constante. Assim transparecem os contos "A pescaria", "O acidente", "Homenagem" e "Cartas e pássaros".

Retrata ainda a exclusão em um mundo farto de recursos nos contos "Cara da avó", "Galinho", "Pai Nosso", "Papagaios" e "Porta de igreja".

Espelhos sociais são apresentados nos contos "202", "Fluxo de consciência", "Verão" e "Alça de caixão", onde a frágil vida pode esvair-se como o sopro de uma leve brisa alçando novos rumos, como o voo de um pássaro.

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